AMIGOS
Quando a selecção depende, em exclusivo, do próprio estudante, a tendência
natural é deixar-se atrair pelos amigos. Uma pessoa sente-se melhor e colabora mais espontaneamente na companhia daqueles de quem gosta.
Mas serão os amigos a melhor escolha? Os bons amigos da brincadeira, do
convívio ou do desporto farão mais e melhor trabalho? Nem sempre assim acontece, como sabemos. Deste modo, escolher colegas de grupo, com base apenas no critério de amizade, pode ser prejudicial.
Antes de seleccionar um amigo, impõe-se a resposta honesta a perguntas como
estas: será ele estimulante ou paralisante? Será ele um apoio ou um empecilho? Com ele, vou subir ou descer de nível? O seu objectivo será ter um grupo para trabalhar ou para conviver? Ele quer trabalhar comigo ou quer que eu faça o trabalho dele?
As respostas a estas perguntas não implicam pôr de parte os amigos sobretudo se eles precisam de ajuda. É uma virtude ser-se generoso e estar-se disponível para ajudar os outros. Porém, é necessário ponderar as opções, para que não haja surpresas desagradáveis.
Na realização de um trabalho sério, os melhores aliados são os colegas.
MOTIVAÇÃO
Para que os alunos fracos não fiquem sempre com outros fracos, é de louvar que
os melhores alunos tomem a iniciativa de se unirem aos colegas que mais precisam de
ajuda. Fica bem a um bom aluno esse gesto de simpatia e solidariedade.
RESPONSÁVEIS
Deve ser evitada a companhia dos colegas individualistas e irresponsáveis que
descansam no esforço alheio. Uns são simples tagarelas que apenas
superficiais, incapazes de colaborar seriamente no trabalho colectivo
Outros têm mesmo a deslealdade de assinar aquilo que foi feito pelos colegas.
Afinal, agem como «parasitas», querendo partilhar os benefícios do grupo, mas não se
mostrando disponíveis para cooperar. Empobrecem o grupo. Não merecem confiança.
Os participantes responsáveis respeitam compromissos assumidos e procuram cumprir as
tarefas que lhes são confiadas. Enriquecem o grupo. Merecem
confiança.
A REALIZAÇÃO DO TRABALHO
As pessoas integram-se num grupo tendo em vista a realização de um trabalho
concreto, por meio de um esforço organizado. O trabalho em grupo pode produzir
sentimentos de vergonha ou de orgulho.
Vergonha, quando há resultados deficientes.
Orgulho, quando o grupo realiza as tarefas
com êxito. Para que a cooperação seja eficaz e os elementos sintam orgulho do seu trabalho,
é fundamental que o grupo tenha método de trabalho, isto é, saiba definir
objectivos, distribuir tarefas e estabelecer regras.
DEFINIR OBJETIVOS
Definir os objectivos do trabalho é condição para o êxito. Um grupo de êxito
tem objectivos claros, compreendidos e aceites por todos os seus elementos.
Tornase, pois, necessário saber o que se pretende atingir, antes de iniciar a realização de
qualquer tarefa, seja ela proposta pelo professor ou da iniciativa dos alunos.
Com objectivos comuns, claros e precisos, os membros do grupo cooperam mais
facilmente, permanecem unidos e resistem aos obstáculos. Em menos tempo e com
Sem objectivos rigorosos, ninguém sabe ao certo para onde caminha. Assim, a
cooperação enfraquece e pode gerar-se um clima de tensões e conflitos entre os
membros do grupo.
DISTRIBUIR TAREFAS
Definidos os objectivos, chega o momento da distribuição de tarefa e
responsabilidades entre os vários participantes.
Quando o professor deixa liberdade ao grupo, são possíveis três processos para:
1. Cada elemento selecciona um aspecto particular do trabalho que deseja
realizar.
2. Os elementos discutem e decidem, por consenso, a divisão do trabalho.
3. Os elementos escolhem, entre si, um líder ou aceitam um que se ofereça,
dispondo-se a seguir as suas orientações. Com a distribuição de tarefas, feita
na base da confiança mútua, cada pessoa fica a saber qual a sua função específica
e qual a função dos seus colegas. É natural que, assim, dê um contributo mais eficaz,
sem desperdício de tempo ou de energias.
Todos os participantes são chamados a cooperar, de modo activo,
empenhado e responsável, para atingir objectivos comuns. Da atitude individual
ESTABELECER REGRAS
O que aconteceria num concerto se cada elemento de uma orquestra tocasse a
música ao ritmo que lhe desse jeito? E o que aconteceria num grupo se cada pessoa
procedesse ao sabor dos seus impulsos momentâneos, sem qualquer preocupação com
os interesses alheios? Cada um de nós pode imaginar!
O equilíbrio de um grupo exige regras. Sem elas fica comprometida a realização de um trabalho
colectivo e podem complicar-se as relações humanas.
Quando não existem regras «ditadas» pelo professor ou pelo líder os participantes devem
estabelecer, entre si, um acordo mínimo sobre o modo de funcionar e os prazos a cumprir.
A existência de regras claras e aceites por todos ao contrário do que algumas pessoas julgam,
só vem facilitar a coesão do grupo, o trabalho e as relações humanas.
Havendo regras, todos sabem a disciplina a que têm de obedecer podem prever o
resultado das suas atitudes.Naturalmente, não deve tolerar-se fuga às regras mínimas
estabelecidas por consenso.
A LIDERANÇA
Quase todos os grupos organizados têm um líder formal ou informal.
Quanto maior for o grupo, maior será a necessidade de um líder.
Nos pequenos grupos, a liderança ou chefia está, em geral, a cargo da pessoa que
FUNÇÕES DO LÍDER
Resumem-se em três as funções essenciais do líder:
I -Motivar o grupo para a realização das tarefas, nos prazos previstos.
II -Criar um espaço favorável à participação livre de todos os elementos,
estimulando os tímidos e controlando os faladores e indisciplinados.
III-Facilitar a comunicação interpessoal, sendo mediador imparcial (não
Do desempenho correcto da liderança depende a coesão e sobrevivência do
grupo e a cooperação entre os seus membros.
A liderança é uma função de responsabilidade que não pode ser confiada a
qualquer pessoa que goste ou se ache com jeito para chefiar. Exige-se conhecimento
mínimo dos assuntos a tratar, domínio das técnicas de liderança, personalidade forte,
capacidade mobilizadora e, acima de tudo, boa relação humana.
O líder não precisa de ser querido de todos, mas não deve ser rejeitado por nenhum
ESTILOS DE CHEFIA
Existem três tipos de chefia: o não-directivo, o autoritário e o democrático.
No puro estilo não-directivo, o líder é um liberal que «deixa andar» as coisas.
Cada membro do grupo tem liberdade (quase) total para fazer o que quer, quando lhe
apetece. É como se não existisse liderança.
No estilo autoritário, o líder é um monopolizador. Concentra em si todo o poder
de decisão e controla os outros membros. Exerce um estilo de orientação rígido que não
dá espaço à participação livre.
No estilo democrático, a definição dos objectivos é feita por todos os membros e
as regras de funcionamento são flexíveis. Sem esquecer a sua responsabilidade de
«manter a disciplina», o líder apela à participação e criatividade individuais.
Os grupos com uma chefia de tipo autoritário produzem, em geral, trabalho em
maior quantidade, mas em menor qualidade, do que os grupos com uma chefia de tipo
democrático.
Acima de tudo, convirá sublinhar que, num clima participativo o trabalho é
realizado com maior satisfação. De facto, os estilos não-directivo e autoritário são
fontes de frustrações e agressividade.
Em situações excepcionais, pode tornar-se aconselhável um estilo mais
autoritário em relação a um ou outro elemento menos cumpridor, para que o trabalho se
realize, dentro dos moldes acordados, sem prejuízo para o grupo. O líder não pode
tolerar desvios em relação ao que foi estabelecido e aceite por todos os elementos de um
grupo.
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