quinta-feira, 30 de junho de 2011

RELAÇÕES HUMANAS

Nas aulas ou fora delas, não se pode dar atenção apenas à realização do trabalho.
Deve, igualmente, cuidar-se das relações humanas, pois o «clima emocional» gerado
entre os participantes condiciona o próprio rendimento do grupo. Quanto mais amigável
for o clima, mais enriquecedor será o trabalho.
Um clima hostil, competitivo e conflituoso é paralisante. A boa relação interpessoal
favorece a confiança mútua, conduz à cooperação e gera maior
produtividade
.No grupo, o diálogo é a única via positiva para conciliar interesses e dar solução
a eventuais conflitos. Apenas o diálogo consegue ultrapassar divergências e torna
possível o acordo entre as pessoas. Como diz o povo: «a falar é que a gente se entende».
Para construir um clima agradável e simpático, vamos lembrar, seguidamente,
algumas regras de ouro da convivência humana.


                             ESCUTAR OS OUTROS
Um dos maiores segredos da relação humana é saber escutar os outros sem os
interromper desnecessariamente.
Todas as pessoas gostam de falar e de ter ouvintes atentos e interessados. Aquele
que se dispõe a escutar manifesta consideração pelos outros e, desse modo, conquista a
sua amizade.
                                 TER AUTO DOMÍNIO
O autodomínio é uma força interior que nos leva a controlar impulsos
momentâneos. A falta de autodomínio pode, algumas vezes, magoar os outros e gerar
conflitos evitáveis.
A comunicação entre as pessoas deve ser aberta e livre, mas é um erro satisfazer
o amor-próprio, fazendo ou dizendo tudo o que apetece, sem medir os efeitos.
                                   SER TOLERANTE 
A tolerância é a capacidade de compreender e perdoar as limitações alheias, o
que implica não ser mais exigente com os outros do que consigo mesmo.
Uma pessoa tolerante sabe que «errar é humano» e, por isso, não censura nem
ridiculariza os outros, à mínima falta. Dá sempre uma segunda oportunidade. 
                           CORRIGIR SEM OFENDER
Corrigir sem ofender significa usar tacto e delicadeza, quando temos de
manifestar a alguém as nossas discordâncias.
Nada justifica que se agrida ou humilhe outra pessoa, só porque não se concorda
com as suas ideias. As ideias podem ser discutidas, mas as pessoas, mesmo as menos
simpáticas, merecem ser respeitadas.
                         OFERECER ELOGIOS
As pessoas simpáticas não se limitam a criticar o que está mal.
Descobrem sempre a forma de apreciar o que é positivo.
É um incentivo particularmente importante para os tímidos ou inferiorizados.Usar o bom humor
Rir não é incompatível com o trabalho, desde que não se ultrapassem certos
limites. O bom humor facilita a comunicação entre as pessoas. Acalma e descontrai nos
momentos de tensão.
É sempre bem recebida uma pessoa sorridente e bem-humorada que tenta criar à
sua volta um clima de alegria.
                              ÊXITO DO GRUPO
O êxito dos grupos não reside apenas no combate à monotonia do estudo
solitário. Os grupos de êxito beneficiam o rendimento intelectual e a formação da
personalidade.

                                O RENDIMENTO INTELECTUAL
Quando duas ou mais pessoas fazem «acordos de cooperação» no estudo, isto é,
se comprometem, se estimulam e se controlam mutuamente, o rendimento intelectual
tende a aumentar.
Em grupo, os indivíduos interessados ajudam os outros a descobrir novos
motivos de interesse. Os membros entusiasmados acabam por contagiar e encorajar os
colegas desanimados. Com a sua motivação, «forçam» os outros a subir de rendimento.
Num grupo empenhado, onde cada elemento dá a sua contribuição responsável,
surgem sempre novas perspectivas e novas soluções sobre os assuntos, o que permite
desenvolver a competência dos participantes.
O simples debate de ideias, a reflexão partilhada, faz progredir a aprendizagem.
Comunicar e discutir ideias é uma maneira prática de consolidar os conhecimentos.
De facto, uma pessoa aprende e recorda melhor aquilo de que fala do que aquilo
que apenas escuta ou lê.
                             A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE
A cooperação em grupo não favorece apenas o rendimento intelectual. Favorece
também a formação da personalidade. Segundo Piaget, «a personalidade é produto da
cooperação».
Em grupo, os jovens aprendem sempre uns com os outros.
Aprendem a conhecer-se melhor. Enriquecem o seu modo de ser, pensar e agir.
Exercitam a responsabilidade. Tornam-se menos dogmáticos, mais abertos, capazes
de fazer e aceitar críticas com humildade. Desenvolvem o espírito criativo e democrático.
A colaboração solidária entre alunos com capacidades e interesses diferentes é
contra a doença do individualismo e os excessos deAdquirir e aperfeiçoar um
saudável espírito de equipa na escola indispensável para a própria vida profissional.
De facto, cada vez mais se verifica que os grandes projectos e as grandes realizações
são obra de grandes equipas. O sucesso, hoje, nasce
da aptidão para trabalhar em grupo.

                                        SÍNTESE
Se deseja tirar partido das vantagens do trabalho em grupo
*Junte-se a colegas motivados e responsáveis.
* Defina, com clareza e rigor, os objectivos do trabalho.
* Cumpra, com lealdade, as tarefas e responsabilidades que lhe forem
distribuídas.
*Seja um líder democrático, sempre que tiver a função de chefia do grupo.
*Estabeleça, com os seus companheiros, regras mínimas de funcionamento.
* Cultive boas relações humanas.
*Evite discussões e agressões.
Prefira o diálogo para resolver os conflitos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Amigos

                                                    AMIGOS
Quando a selecção depende, em exclusivo, do próprio estudante, a tendência
natural é deixar-se atrair pelos amigos. Uma pessoa sente-se melhor e colabora mais espontaneamente na companhia daqueles de quem gosta.
Mas serão os amigos a melhor escolha? Os bons amigos da brincadeira, do
convívio ou do desporto farão mais e melhor trabalho? Nem sempre assim acontece, como sabemos. Deste modo, escolher colegas de grupo, com base apenas no critério de amizade, pode ser prejudicial.
Antes de seleccionar um amigo, impõe-se a resposta honesta a perguntas como
estas: será ele estimulante ou paralisante? Será ele um apoio ou um empecilho? Com ele, vou subir ou descer de nível? O seu objectivo será ter um grupo para trabalhar ou para conviver? Ele quer trabalhar comigo ou quer que eu faça o trabalho dele?
As respostas a estas perguntas não implicam pôr de parte os amigos sobretudo se eles precisam de ajuda. É uma virtude ser-se generoso e estar-se disponível para ajudar os outros. Porém, é necessário ponderar as opções, para que não haja surpresas desagradáveis.
Na realização de um trabalho sério, os melhores aliados são os colegas.
                                          MOTIVAÇÃO
Para que os alunos fracos não fiquem sempre com outros fracos, é de louvar que
os melhores alunos tomem a iniciativa de se unirem aos colegas que mais precisam de
ajuda. Fica bem a um bom aluno esse gesto de simpatia e solidariedade.

                                 RESPONSÁVEIS
Deve ser evitada a companhia dos colegas individualistas e irresponsáveis que
descansam no esforço alheio. Uns são simples tagarelas que apenas
superficiais, incapazes de colaborar seriamente no trabalho colectivo
Outros têm mesmo a deslealdade de assinar aquilo que foi feito pelos colegas.
Afinal, agem como «parasitas», querendo partilhar os benefícios do grupo, mas não se
mostrando disponíveis para cooperar. Empobrecem o grupo. Não merecem confiança.
Os participantes responsáveis respeitam compromissos assumidos e procuram cumprir as
tarefas que lhes são confiadas. Enriquecem o grupo. Merecem
confiança.
                        A REALIZAÇÃO DO TRABALHO
As pessoas integram-se num grupo tendo em vista a realização de um trabalho
concreto, por meio de um esforço organizado. O trabalho em grupo pode produzir
sentimentos de vergonha ou de orgulho.
Vergonha, quando há resultados deficientes.
Orgulho, quando o grupo realiza as tarefas
com êxito. Para que a cooperação seja eficaz e os elementos sintam orgulho do seu trabalho,
é fundamental que o grupo tenha método de trabalho, isto é, saiba definir
objectivos, distribuir tarefas e estabelecer regras.
                                   DEFINIR OBJETIVOS
Definir os objectivos do trabalho é condição para o êxito. Um grupo de êxito
tem objectivos claros, compreendidos e aceites por todos os seus elementos.
Tornase, pois, necessário saber o que se pretende atingir, antes de iniciar a realização de
qualquer tarefa, seja ela proposta pelo professor ou da iniciativa dos alunos.
Com objectivos comuns, claros e precisos, os membros do grupo cooperam mais
facilmente, permanecem unidos e resistem aos obstáculos. Em menos tempo e com
Sem objectivos rigorosos, ninguém sabe ao certo para onde caminha. Assim, a
cooperação enfraquece e pode gerar-se um clima de tensões e conflitos entre os
membros do grupo.

                                DISTRIBUIR TAREFAS
Definidos os objectivos, chega o momento da distribuição de tarefa e
responsabilidades entre os vários participantes.
Quando o professor deixa liberdade ao grupo, são possíveis três processos para:

1. Cada elemento selecciona um aspecto particular do trabalho que deseja
realizar.
2. Os elementos discutem e decidem, por consenso, a divisão do trabalho.
3. Os elementos escolhem, entre si, um líder ou aceitam um que se ofereça,
dispondo-se a seguir as suas orientações. Com a distribuição de tarefas, feita
na base da confiança mútua, cada pessoa fica a saber qual a sua função específica
e qual a função dos seus colegas. É natural que, assim, dê um contributo mais eficaz,
sem desperdício de tempo ou de energias.
Todos os participantes são chamados a cooperar, de modo activo,
empenhado e responsável, para atingir objectivos comuns. Da atitude individual
                                       ESTABELECER REGRAS
O que aconteceria num concerto se cada elemento de uma orquestra tocasse a
música ao ritmo que lhe desse jeito? E o que aconteceria num grupo se cada pessoa
procedesse ao sabor dos seus impulsos momentâneos, sem qualquer preocupação com
os interesses alheios? Cada um de nós pode imaginar!
O equilíbrio de um grupo exige regras. Sem elas fica comprometida a realização de um trabalho
colectivo e podem complicar-se as relações humanas.
Quando não existem regras «ditadas» pelo professor ou pelo líder os participantes devem
estabelecer, entre si, um acordo mínimo sobre o modo de funcionar e os prazos a cumprir.
A existência de regras claras e aceites por todos ao contrário do que algumas pessoas julgam,
só vem facilitar a coesão do grupo, o trabalho e as relações humanas.
Havendo regras, todos sabem a disciplina a que têm de obedecer podem prever o
resultado das suas atitudes.Naturalmente, não deve tolerar-se fuga às regras mínimas
estabelecidas por consenso.
                                A LIDERANÇA
Quase todos os grupos organizados têm um líder formal ou informal.
Quanto maior for o grupo, maior será a necessidade de um líder.
Nos pequenos grupos, a liderança ou chefia está, em geral, a cargo da pessoa que
                              FUNÇÕES DO LÍDER
Resumem-se em três as funções essenciais do líder:
I -Motivar o grupo para a realização das tarefas, nos prazos previstos.
II -Criar um espaço favorável à participação livre de todos os elementos,
estimulando os tímidos e controlando os faladores e indisciplinados.
III-Facilitar a comunicação interpessoal, sendo mediador imparcial (não
Do desempenho correcto da liderança depende a coesão e sobrevivência do
grupo e a cooperação entre os seus membros.
A liderança é uma função de responsabilidade que não pode ser confiada a
qualquer pessoa que goste ou se ache com jeito para chefiar. Exige-se conhecimento
mínimo dos assuntos a tratar, domínio das técnicas de liderança, personalidade forte,
capacidade mobilizadora e, acima de tudo, boa relação humana.
O líder não precisa de ser querido de todos, mas não deve ser rejeitado por nenhum
                                            ESTILOS DE CHEFIA
Existem três tipos de chefia: o não-directivo, o autoritário e o democrático.
No puro estilo não-directivo, o líder é um liberal que «deixa andar» as coisas.
Cada membro do grupo tem liberdade (quase) total para fazer o que quer, quando lhe
apetece. É como se não existisse liderança.
No estilo autoritário, o líder é um monopolizador. Concentra em si todo o poder
de decisão e controla os outros membros. Exerce um estilo de orientação rígido que não
dá espaço à participação livre.
No estilo democrático, a definição dos objectivos é feita por todos os membros e
as regras de funcionamento são flexíveis. Sem esquecer a sua responsabilidade de
«manter a disciplina», o líder apela à participação e criatividade individuais.
Os grupos com uma chefia de tipo autoritário produzem, em geral, trabalho em
maior quantidade, mas em menor qualidade, do que os grupos com uma chefia de tipo
democrático.
Acima de tudo, convirá sublinhar que, num clima participativo o trabalho é
realizado com maior satisfação. De facto, os estilos não-directivo e autoritário são
fontes de frustrações e agressividade.
Em situações excepcionais, pode tornar-se aconselhável um estilo mais
autoritário em relação a um ou outro elemento menos cumpridor, para que o trabalho se
realize, dentro dos moldes acordados, sem prejuízo para o grupo. O líder não pode
tolerar desvios em relação ao que foi estabelecido e aceite por todos os elementos de um
grupo.

Trabalho em grupo

O trabalho em grupo, dentro ou fora da aula, pode fornecer melhor rendimento
intelectual e é um valioso contributo para a formação da personalidade. Nesse sentido, e apesar das dificuldades, continua a ser uma necessidade, mais do que moda ou mania de  certas pessoas.
Queixam-se alguns estudantes de que as nossas escolas superlotadas não
oferecem espaços para trabalhar em grupo, fora das aulas. Queixam-se ainda de que currículos e horários desequilibrados lhes roubam disponibilidade para esse tipo de trabalho. Têm razão. São dois factos indesmentíveis que tornam a cooperação difícil,embora não impossível.
A aprendizagem exige muito esforço individual e solitário. Mas há momentos
em que o estudante ganha mais se cooperar com amigos motivados e responsáveis.
Estudo individual e trabalho em grupo não se excluem. São
complementares.
                          A ESCOLHA DOS AMIGOS

A primeira condição para ter sucesso no trabalho em grupo é a escolha adequada dos colegas que vão integrar a equipa.
Há ocasiões em que é o professor que agrupa os estudantes e lhes dá todas as
indicações sobre os objectivos e a metodologia do trabalho. Porém, muitos professores limitam-se a propor os temas e deixam liberdade para a escolha dos elementos do grupo.
São os alunos que se auto-seleccionam e autodirigem, embora possam contar com o conselho experiente do professor.
O tamanho do grupo depende do tipo de trabalho e dos objectivos a atingir. O
grupo deve ser suficientemente numeroso para assegurar a realização das tarefas. Em todo o caso, esse número não deverá ultrapassar as cinco pessoas, a fim de permitir a participação activa de todos nas discussões e decisões. Há quem indique o número três como ideal para a maioria dos trabalhos escolares.
Não é tanto o número de elementos do grupo que está em causa. O que está em
causa é, acima de tudo, o perfil das pessoas a seleccionar. Sabe-se que, no grupo, as pessoas exercem influência recíproca. Assim, quanto melhor for o grupo, mais
benéfica será a sua influência sobre o comportamento individual.